Fisioterapia ajuda a minimizar efeitos da bronquite asmática

A asma é uma doença crônica e inflamatória das vias aéreas e respiratórias. Normalmente, a pessoa já nasce com a doença, que pode se manifestar em qualquer época da vida, com maior freqüência na infância. Um estudo internacional aponta que o Brasil é o oitavo país no mundo em número de casos e que 20% das crianças brasileiras têm asma. Para minimizar os efeitos da doença em crianças, exercícios de fisioterapia na água e no solo podem ter resultados significativos.
Tosse seca, chiado no peito, dor no tórax e falta de ar são alguns dos sintomas da asma, que pode levar à morte se não for precocemente diagnosticada e devidamente tratada. Segundo a fisioterapeuta Josiane Felcar, a doença caracteriza-se por inflamação, diminuição da espessura dos brônquios e secreção. “Os pacientes com asma têm muita dificuldade de soltar o ar. Os asmáticos têm excesso de gás carbônico nos pulmões. A sensação que se tem é de falta de ar, mas há um monte de ar que não serve para nada”, explica.
Com técnicas desobstrutivas, a fisioterapia melhora a secreção e favorece as trocas gasosas, auxiliando no combate aos sintomas. “A gente faz manobras de vibração no tórax do paciente. São batidas nas costas, mas não são indicadas para todas as crianças asmáticas”, ressalta.

Outra técnica consiste em colocar o ar para fora dos pulmões, forçando uma expiração. Ela faz aumentar o volume de ar corrente, possibilita maior ventilação pulmonar e oxigena melhor o sangue.
Exercícios de condicionamento físico melhoram a respiração e evitam crises durante outras atividades físicas. “O condicionamento físico é usado para que a criança faça mais exercícios sem entrar em crise”, afirma Josiane. Pular corda e jogar amarelinha fazem parte desse trabalho.
Além das brincadeiras, natação, hidroginástica, futebol e bicicleta também são recomendados para melhorar o condicionamento. “Os exercícios devem ser feitos sempre com supervisão profissional para ver se a criança agüenta”, ressalta.
O médico pneumologista Denison Noronha Freire recomenda, além de fisioterapia, controle emocional e nutricional e, em alguns casos, o uso de medicamentos sob orientação médica. “O objetivo da fisioterapia é desobstruir o brônquio e reeducar a respiração”, explica. Inaladores também auxiliam no convívio com a asma.
Trabalhar o diafragma é outro meio de reeducar a respiração das crianças, segundo Josiane. “A gente tem que ensiná-la a usar o músculo do diafragma, que é o principal da respiração.”
Exercícios reduziram crises
“O meu pulmão começa a roncar e eu sinto falta de ar”, conta a estudante Nathália Maria da Costa, 10 anos, que tem asma desde que nasceu e recorre à fisioterapia para minimizar os efeitos da doença. “A gente faz hidroginástica, com bastão e bicicleta, além de exercícios de respiração e alongamento na piscina”, explica ela. “Agora, a asma ataca menos. Antes eu não sabia respirar direito”, diz.
O diagnóstico foi feito aos 3 anos de idade. Nathália fez cirurgia de adenóide e amídalas para ajudar a minimizar os efeitos da doença. A mãe, Lucrécia, conta que a partir dos 5 anos, Nathália iniciou a hidroginástica e a fisioterapia. “São exercícios que facilitam a vida do asmático, aumentam a vitalidade pulmonar, abrem os brônquios e ensinam a usar o diafragma”, afirma a mãe.
As crises de Nathália vêm sempre em épocas de frio e tempo seco, agravadas pela alergia a alguns tipos de plantas e poeira. “Algumas plantas e a poeira travam os brônquios dela”, diz Lucrécia. Por outro lado, os exercícios de fisioterapia fizeram as crises diminuírem. “Depois que ela começou a fazer a fisioterapia, melhorou 90%.”
Agravantes da asma devem ser evitados
Poeiras, fumaças, certos odores, frio, tempo seco, ácaros e pêlos de animais são alguns agravantes para a asma, ressalta o médico pneumologista Denison Noronha Freire. “Todos esses itens contribuem para estreitar os brônquios”, afirma. Segundo ele, medicamentos bronco-dilatadores ajudam a relaxar o músculo dos brônquios e minimizar os efeitos da doença.
Conforme o médico, aspectos emocionais também podem se tornar agravantes da doença. “Fatores emocionais são desencadeantes e até agravantes da asma”, afirma. Mas com a crise não se brinca. Para revertê-la, é preciso utilizar a medicação recomendada pelo especialista regularmente. “Se a pessoa não tomar o remédio durante a crise, pode ocorrer insuficiência respiratória, o que leva à UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e pode causar a morte”, alerta.
Freire explica que, na asma, o brônquio é comprimido pelo músculo que o envolve e se a medicação não for usada de forma correta, a pessoa terá falta de ar. “Se a pessoa fizer o tratamento correto e usar o remédio, a falta de ar passa. Se não fizer, o brônquio poderá ficar permanentemente apertado”, diz. A asma, como doença crônica, é como diabetes e pressão alta. “Tem que tomar o remédio para evitar”, afirma.
5% dos casos de emergência são de asma
Segundo o pneumologista Denison Noronha Freire, sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), cerca de 5% dos atendimentos de emergência nos pronto-socorros do mundo são em decorrência da asma. No Brasil, de acordo com o médico, são 350 mil atendimentos a pacientes com asma ao ano. “A doença pode ser reversível com o tratamento do broncodilatador”, diz.
Para diagnosticar a asma em crianças a partir de 5 anos, explica o pneumologista, é utilizado um aparelho chamado espirômetro, que mede o volume de ar expirado ou inspirado pelo pulmão, e necessita de coordenação para o exame. “O paciente sopra no aparelho e ele dá os valores de volume e fluxo de ar nos pulmões”, explica o médico.
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